Muita gente acredita que o dia só começa de verdade depois de uma boa xícara de café. No entanto, se você está grávida, essa pode ser uma questão bem polêmica. Afinal, gestantes podem ou não podem ingerir cafeína durante a gravidez?
A resposta mais segura é: quanto menos, melhor. O ideal é evitar o café na gravidez, porque não existe uma dose comprovadamente segura.
O que se sabe é que a cafeína atravessa a placenta e chega até o bebê, que ainda não tem maturidade para metabolizá-la. Por isso, o consumo precisa ser controlado ao longo do dia.
Existe quantidade segura de café na gravidez?
Não existe uma dose segura. Algumas diretrizes internacionais usam 200 mg de cafeína por dia como limite máximo, o que equivale aproximadamente a:
1 a 2 xícaras pequenas de café coado
ou 1 café expresso + pequenas fontes de cafeína ao longo do dia
👉 A quantidade pode variar conforme a intensidade do café.
Esse é o limite das diretrizes do NHS (sistema de saúde britânico) e do American College of Obstetricians and Gynecologists. Porém, estudos mais recentes já relacionam uma dosagem baixa de consumo com efeitos adversos. Por isso, a minha orientação é: quanto menos, melhor, e o ideal é evitar, isso desde o preparo para a gestação.
Atenção: não é só o café
A cafeína também está presente em outros alimentos e bebidas, como:
Chocolate
Chá preto, chá verde e chá mate (que também não são indicados na gestação)
Refrigerantes tipo cola
Energéticos (devem ser evitados)
Por isso, é importante considerar o consumo total ao longo do dia. E bem sabemos que vez ou outra nós queremos um chocolatinho, não é mesmo?
O que pode acontecer com o excesso de cafeína?
O consumo elevado pode estar associado a:
Maior risco de perda da gravidez
Maior risco de baixo peso ao nascer e alteração no crescimento
Prematuridade
Alterações no sono do bebê
Aumento da frequência cardíaca fetal
O objetivo não é gerar medo, mas sim te ajudar a fazer escolhas mais seguras.
Preciso parar de tomar café?
O ideal é evitar, sim. Se o café faz parte da sua rotina, não precisa cortar de uma vez: vá reduzindo aos poucos, até o menor consumo possível.
Agora, se você nunca teve o costume de tomar café antes, não há razão para começar a fazê-lo justamente quando estiver grávida, certo?
"Ah, Rebeca, mas eu não vivo sem café." Eu sei que é difícil, ainda mais quando temos o hábito. Algumas estratégias simples podem ajudar:
Reduzir a quantidade aos poucos
Evitar café no período da noite
Alternar com versões descafeinadas (sempre a base de água, o método Swiss Water)
Trocar por um chazinho de gengibre e frutas
Dica prática para o dia a dia
Se você sente muita vontade de café, vale testar:
Café descafeinado
Misturar café normal com descafeinado
Outras bebidas quentes sem cafeína
DICA: pegue o dinheiro do café que você gasta toda semana (seja na máquina do trabalho ou na cafeteria que você ama) e coloque-o em um pequeno cofrinho. No final da semana ou do mês, use esse valor para se presentear com um mimo (manicure, cabeleireiro, massagem... o que você preferir). Você vai ver como funciona!
Cada gestação é única
Algumas mulheres ficam mais sensíveis à cafeína, com sintomas como:
Ansiedade
Azia ou refluxo
Dificuldade para dormir
Nesses casos, reduzir ou até mesmo zerar o consumo pode trazer mais conforto.
Por isso, é importante discutir isso com um especialista: seu médico ou seu nutricionista são os profissionais que vão analisar o seu caso e definir o que é melhor para você.
Embora a ideia de reduzir mais um item básico em sua dieta possa ser frustrante, lembre-se de que não é para sempre. Em breve, você poderá beber o seu cafezinho novamente. O período da gravidez passa muito rápido, mas é fundamental para o desenvolvimento saudável do seu filho. E ao final desse tempo você verá o quanto tudo valeu a pena.
Tem alguma dúvida sobre o consumo de cafeína na gravidez? Combinado?