Nutrição para Gestantes

Grávida brasileira na Ásia: algas, sushi e sal no Japão, na Coreia e na China

Na Ásia, o maior cuidado alimentar da gestante brasileira costuma ser o contrário do que se ouve no Brasil: em vez de faltar iodo, ele pode sobrar, por causa das algas. O peixe cru do sushi e do sashimi e o sal escondido nos molhos e conservas completam a lista do que vale observar.

Neste texto eu falo do Japão, da Coreia do Sul e da China: o que muda no prato, como funciona o pré-natal e como lidar com a língua.

Iodo: quando a alga vira excesso

O iodo é essencial para a tireoide da mãe e para o desenvolvimento do cérebro do bebê. A Organização Mundial da Saúde recomenda 250 µg por dia na gestação e na amamentação. O problema na Ásia é outro: a alimentação do dia a dia pode passar muito disso.

Iodo demais também atrapalha a tireoide, da mãe e do bebê. Na prática:

Sushi, sashimi e mercúrio

Em muitos países, como Reino Unido, Portugal e Estados Unidos, a orientação oficial para gestantes é evitar peixe cru, pelo risco de bactérias e parasitas. O NHS, por exemplo, libera sushi só quando o peixe ou o fruto do mar está cozido. No Japão, onde o sushi está em todo lugar, dá para seguir essa regra e continuar aproveitando a comida local:

Além do peixe cru, existe a questão do mercúrio, que se acumula nos peixes grandes. O Ministério da Saúde do Japão tem uma tabela para gestantes:

Para ter uma ideia, uma peça de sushi tem uns 15 g de peixe, e um prato de sashimi, uns 80 g. O próprio ministério reforça que o peixe é importante na gravidez e que a tabela não é um pedido para parar de comer peixe.

Na China, o cuidado extra é com o peixe de água doce cru, como o yusheng de algumas regiões: segundo a OMS, ele transmite parasitas que se alojam no fígado.

Listéria e ovo cru

O material do Ministério da Saúde do Japão para gestantes cita como alimentos de risco para listéria os queijos não pasteurizados, os patês, o presunto cru (nama-hamu) e o salmão defumado. Outro hábito local é o ovo cru sobre o arroz (tamago kake gohan). Na gestação, eu oriento ovo com clara e gema firmes, como recomendam a maioria das agências de saúde.

O sal escondido nos molhos

Shoyu, missô, kimchi, conservas (tsukemono), lámen instantâneo e o caldo das sopas concentram muito sódio. A OMS recomenda menos de 5 g de sal por dia para adultos, e uma tigela de lámen com o caldo pode chegar perto disso sozinha.

Algumas trocas simples:

Se você está com pressão alta ou inchaço, esse ajuste merece conversa com o obstetra.

Arroz, feijão e o que mais você encontra

Arroz é fácil em toda a região. O feijão é outra história:

Uma troca que funciona: o azuki é feijão, e pode ir para o prato salgado, mesmo que na Ásia ele apareça mais nos doces. Tofu, edamame e ovos ajudam na proteína, e as folhas verdes escuras, como o espinafre e o komatsuna, somam ferro. Para entender por que o ferro pesa tanto na gestação, leia a importância do ferro na gestação.

Pré-natal e a barreira da língua

Para a consulta render, prepare uma lista traduzida dos seus suplementos e alergias, peça intérprete quando o hospital oferecer e use o tradutor do celular para os rótulos. O ácido fólico também está na rotina daí: o Japão recomenda 400 µg por dia para quem planeja engravidar.

Se o enjoo apertar com cheiros novos, veja as dicas do post sobre enjoo na gravidez. E para a base da alimentação da gestante, comece por engravidei, preciso mesmo comer por dois? e pela página de nutrição para gestantes.

Se você mora na Ásia e quer ajuda para equilibrar o prato local com o que faz falta da comida brasileira, eu atendo por vídeo, em português: agende a sua consulta.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com o seu médico ou com a nutricionista que acompanha a sua gestação.

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Gestar longe de casa fica mais simples quando quem está do seu lado sabe o mesmo que você: o parceiro, a mãe que veio ajudar, a amiga brasileira da cidade. Mande este guia para essa pessoa, assim vocês vão às consultas com as mesmas perguntas.

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