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Posso criar meus filhos numa dieta vegetariana/vegana?

Até bem pouco tempo atrás, se você dissesse às pessoas que pretendia criar seu bebê seguindo uma dieta vegana ou vegetariana desde o início, com certeza ouviria alguns comentários bem indignados, do tipo: "como ele vai obter proteínas suficientes? E os nutrientes? Ele vai adoecer!"


(Aliás, aqui vai um parêntese muito importante: evite compartilhar seus planos de criação dos filhos com pessoas que não irão te auxiliar diretamente nesse processo, combinado? Acredite: a sua saúde mental vai te agradecer!)

Mas voltando ao tema do texto, com a crescente popularização das dietas baseadas em vegetais, hoje em dia já é um pouco mais fácil para algumas pessoas entenderem que é possível garantir uma alimentação completa e balanceada para as crianças, mesmo sem a ingestão de produtos de origem animal. Mas ainda passa longe de ser uma unanimidade.


Em 2016, a Academia de Nutrição e Dietética, cuja sede fica nos Estados Unidos, publicou um artigo onde afirmava que as dietas vegetarianas - quando adequadamente planejadas (incluindo uma dieta vegana) - podiam, sim, ser saudáveis ​​e nutricionalmente adequadas para pessoas de todas as idades – incluindo bebês e crianças.


E a mesma visão é endossada pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), que apenas ressalta a importância de se observar periodicamente as taxas de ferro, cálcio, Vitamina D (essa para todas as crianças, inclusive as onívoras) e Vitamina B12.


Como ficam as refeições neste caso?


O cardápio vegetariano, em sua base, será muito parecido com a pirâmide tradicional elaborada e sugerida pela SBP (e que nós já trouxemos em outro post aqui no blog). A única diferença é que as carnes deverão ser substituídas por porções maiores de leguminosas, como o feijão, a lentilha e o grão de bico, por exemplo, e as porções de cereais devem ser readequadas para que a mesma recomendação nutricional seja atingida.


Caso a família opte por uma dieta vegana, também deverá ser feita a substituição dos ovos, do leite e de seus derivados.


Em ambos os casos, é super importante buscar o acompanhamento de uma nutricionista materno-infantil, para que todas essas substituições sejam feitas de maneira adequada, visando garantir que o planejamento não comprometa a nutrição infantil e consiga fornecer o máximo de nutrientes para as crianças.


Exemplo de cardápio para bebê de 6 meses a 1 ano


1/3 de Legumes e verduras cozidos: Abóbora, couve, brócolis, cenoura, etc. 1/3 de Leguminosas: Feijão carioca, feijão preto, lentilha, feijão azuki, etc. 1/3 de Cereais, raízes, grãos: Arroz integral, quinoa, batatas, mandioca, cará, inhame, etc.
Fonte: Guia de Alimentação para Crianças Vegetarianas - SBV

Segundo a Sociedade Vegetariana Brasileira, é importante que as leguminosas sejam oferecidas em duas porções ao dia nas refeições principais.


Enquanto isso, os vegetais que apresentam coloração alaranjada, como cenoura, abóbora e batata doce devem ser oferecidos três vezes na semana para atingir a necessidade de betacaroteno; e os verde-escuros, como o agrião, brócolis e couve pelo menos quatro vezes na semana.


Também é importante adicionar azeite de oliva e óleo de linhaça nos pratos das crianças, com o objetivo de fornecer as quantidades necessárias de lipídios e de ômega 3, respectivamente.


Com isso, o cardápio diário poderia ser montado da seguinte forma:

  • Leite materno: livre demanda

  • Lanche da manhã: uma fruta

  • Almoço e jantar: arroz + feijão + brócolis cozido + abóbora cozida + ½ colher de sobremesa de azeite (2,5 g) + ½ colher de sobremesa de óleo de linhaça (2,5 g) + laranja

Lembrando que é importante incluir uma fruta com maior teor de Vitamina C junto com a refeição principal, pois ela auxilia na absorção do ferro presente nos vegetais.


Também pode ser feito um lanche no período da tarde principalmente para as crianças que já não estão mais sendo amamentadas.


Além disso, independentemente da dieta escolhida e seguida pelos pais, a principal orientação na hora de selecionar os alimentos que vão compor o pratinho dos seus filhos é: variedade. Quanto maior a oferta de itens diferentes ao longo das refeições, maior a exposição da criança aos diferentes tipos de nutrientes, vitaminas e minerais.


Por isso, caso seu filho relute em experimentar novos alimentos, tente mudar a forma de oferecê-lo, variando a textura, o preparo e até os temperos. E, principalmente, entenda que tudo é um processo (muitas vezes longo, é verdade) e que driblar essas pequenas adversidades faz parte dele.


E você, tem dúvidas sobre nutrição infantil ou segue alguma dieta específica e gostaria de saber se é possível reproduzi-la para as crianças? Deixe seu questionamento nos comentários.

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